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23/02/2012

Aston Villa escancara problemas defensivos do Chelsea de Villas-Boas

11:26 Carlos Sena No comments
Não está fácil a vida do pupilo de José Mourinho no Chelsea. Ele tenta manter a estrutura tática legada pelo seu mestre português, com uma pequena variação - o 4-3-3 anterior transformou-se em 4-1-4-1 – mas a segurança defensiva que caracterizava o Chelsea com Mourinho não se repete com Villas-Boas. Sábado, por exemplo, a equipe londrina levou 3 a 1 do Aston Villa, em casa e de virada, marcando um gol de pênalti.

O Aston Villa se desenhou com um encaixe tático ao Chelsea. O time de Birmingham distribuiu-se no 4-5-1 com duas linhas e um enganche (ou 4-4-1-1). Desta forma, o enganche Ireland “bateu” com o primeiro volante Romeu, enquanto o meio-campo casou perfeitamente as zonas de marcação ao quarteto de apoiadores do Chelsea:


Frente ao encaixe o Chelsea não conseguiu jogar. Teve mais de 60% da posse, no total, embora restrita às intermediárias. Na prática, foram apenas dois chutes em gol, sem contar as conclusões para fora. E, ansioso, o time costuma se desorganizar quando não consegue criar, abrindo espaços bem explorados pelo Aston Villa.

O Villa focou suas ações no lado esquerdo ofensivo, sobre Paulo Ferreira e David Luiz. N’Zogbia foi o winger do setor, recebendo o apoio do enganche Ireland, e até mesmo a passagem do box-to-box Clark. O atacante Agbonlahor também se deslocava ao lado esquerdo, completando um quarteto de jogadores tramando combinações e executando infiltrações entre o zagueiro e o lateral do Chelsea, muito distantes entre si e desprotegidos por Romeu e Ramires.

Defensivamente o Villa manteve-se protegido com os laterais Cuellar e Warnock presos à base defensiva, e com o volante Petrov. Desta forma, fechou os espaços do Chelsea, levando o time de Villas-Boas à costumeira ansiedade pelo gol, que provoca desorganização e abertura de espaços. Os visitantes tiveram paciência, virando o jogo aos 37m do segundo tempo, e fazendo o terceiro gol no final – período do auge desta ansiedade londrina.

Eduardo Cecconi
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18/01/2012

‘Prova real’ na análise tática: interações e posse de bola

14:08 Carlos Sena No comments
A teoria tática no futebol ainda é uma ciência em desenvolvimento. Há pouca bibliografia, muito conhecimento empírico disseminado de forma imprecisa, e consequentemente discrepâncias entre conceitos utilizados pelos analistas. Parte-se, por exemplo, da premissa que o sistema tático se define sem a posse de bola, como se fosse algo matemático: observar uma equipe defendendo-se é suficiente para identificar se ela está no 4-4-2, no 4-3-3, no 3-5-2…e eu discordo.

Há outros elementos importantes. A posse de bola precisa interferir neste diagnóstico. Como definir o sistema do Barcelona pelo seu posicionamento defensivo – ou posicionamento inicial – se o time joga com posse superior a 70%? Neste caso, o mais importante é o posicionamento inicial dos jogadores do Barça na transição ofensiva, e não na defensiva, porque é a maneira com a qual ele se comporta por mais tempo.

Outro aspecto interessante é a “interação”, termo que ouvi em palestra do treinador Tiago Duarte no curso Kick-Off 5 da escola Perestroika, em Porto Alegre. É preciso identificar com quais jogadores algum específico mais interage. Assim é mais facil definir em qual setor ele tem maior presença, configurando o sistema tático.

É como na “prova real” dos cálculos matemáticos. Parte-se do posicionamento inicial sem a bola para projetar o sistema tático, mas é preciso confrontar esta observação até certo ponto fácil e simples com dados mais complexos: o tempo de posse, o comportamento dos jogadores – espaços ocupados e movimentos realizados – e as interações dos pequenos grupos. Só depois de cruzar estes dados é possível determinar o sistema tático e a estratégia com mais chance de acerto.

Um exemplo disso está no Chelsea, que ontem empatou fora de casa com o Tottenham. Na história recente do clube as equipes distribuem-se no 4-3-3 – foi assim com Mourinho, Ancelotti, e até com Villas-Boas assim que o português chegou a Londres. Mas, aos poucos, pelos jogadores escolhidos, e pelas interações deles, o sistema modificou-se, e o Chelsea tem jogado no 4-5-1 em duas linhas com um volante entre elas (ou 4-1-4-1) conforme o diagrama abaixo:

Sete jogadores têm o mesmo comportamento do 4-3-3 anterior – relembrem aqui. A linha defensiva e o triângulo de base alta bem fechado no centro do campo, com um tripé de volantes passadores, estão intactos. A alteração está nos lados do campo. Antes, com Anelka e Malouda (ou Kalou, ou até Torres) o 4-3-3 configurava-se pelas interações deles, incisivas, na direção de Drogba.

Agora, Mata e Sturridge são wingers, e não atacantes. Não apenas recuam, alinhando-se aos apoiadores Ramires e Raúl Meireles – fato que pode acontecer no 4-3-3 circunstancialmente, com os pontas acompanhando laterais, por exemplo – como também é com esta dupla que eles mais interagem.

Mata e Sturridge jogam distantes de Drogba e deles próprios, interagindo com os meio-campistas e os laterais – o espanhol com Meireles, e com Ashley Cole, e o inglês com Ramires e Bosingwa. Drogba fica ‘divorciado’ deste bloco, sendo requisitado apenas para o pivô e a conclusão, sem participar das tramas. Outro detalhe importante: o Chelsea chegou a ter apenas 35% de controle da bola, passando 65% do tempo, portanto, com posicionamento inicial defensivo, o que torna esta observação mais importante que durante a posse.

Se havia dúvida sobre o sistema tático do Chelsea, aplicar à observação do jogo de ontem a relevância da posse de bola e as interações dos jogadores ajudam a tirar a “prova real”, e definir o 4-1-4-1.

Eduardo Cecconi
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14/12/2011

Santos oferece posse e aposta na transição ofensiva veloz

22:46 Carlos Sena 1 comment
Na vitória da manhã desta quarta-feira sobre o Kashiwa Reysol o técnico Muricy Ramalho ofereceu um aperitivo daquela que, imagina-se, será a estratégia principal do Santos no confronto iminente com o Barcelona, decidindo o título Mundial de Clubes. Apesar da superioridade técnica de seus jogadores, a equipe brasileira preferiu esperar o adversário, oferecendo aos japoneses posse de bola, e com ela a falsa impressão de que era o Kashiwa quem controlava a partida.

Na prática, o Santos distribuiu-se no 4-4-2 com um losango no meio-campo. Henrique foi o vértice inicial, tendo Elano à direita e Arouca na esquerda. Sem a bola, este trio alinhava-se logo à frente da linha defensiva de quatro jogadores, formando um bloco de sete santistas a partir da intermediária defensiva:

Desta forma, o Kashiwa chegou a ter 60% de posse, mas sem infiltração. O mesmo, entretanto, aconteceu com o Santos. Com sete jogadores atrás da linha da bola, e Neymar recuando pela esquerda nos momentos de apoio do lateral Sakai em uma espécie de 4-4-1-1 em duas linhas britânicas, havia muito campo a percorrer nas transições ofensivas. Com os jogadores espassados, distantes, e longe do gol, restava ao Santos aproveitar a qualidade individual de seus três ofensivos: Ganso, Neymar e Borges.

Neymar atuou como de hábito, um líbero ofensivo sem região de campo rígida a ocupar. Partia da esquerda, como um atacante, buscando aproximações com Borges e Ganso – as únicas possíveis, em razão da distância entre eles e o tripé de volantes. Ganso demorou alguns minutos a entrar no jogo, mas depois conseguiu se encaixar entre as linhas japonesas, priorizando o passe curto à espera do avanço rápido de seus companheiros de frente.

No segundo tempo os laterais do Santos soltaram-se mais, até mesmo Durval na esquerda, e principalmente Danilo, passando para receber e trazendo consigo os apoiadores, respectivamente Arouca e Elano. Isso permitiu a Ganso mais inversões e lançamentos longos, fazendo o Santos subir na estatística e terminar com 48% de posse. Mas, com a restrição de infiltrações – pelo recuo das linhas e falta de opções de passe à frente da bola – os três gols saíram de conclusões da entrada da área – outro prelúdio de uma iniciativa, provavelmente, programada para surpreender o Barcelona: recuar sete jogadores, manter Neymar bloqueando a passagem do lateral, sair rápido em contra-ataque com três ofensivos, e agredir com chutes de fora e iniciativas individuais.

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07/12/2011

Catania apresenta um 3-5-2 com losango defensivo

16:35 Carlos Sena No comments
Estranhei de tal forma a disposição dos jogadores do Catania no confronto com o Milan, no último final de semana, que parei e assisti. Estava apenas zapeando os canais, peguei o jogo em andamento, mas me interessei pela distribuição dos atletas em um sistema com três zagueiros pouco usual. Eu, ao menos, nunca havia me deparado com tal desenho.

O Catania enfrentou o Milan utilizando-se de um 3-5-2 com losango defensivo. Os alas alinharam-se à segunda faixa de meio-campo, e não aos volantes, como habitualmente acontece. No desdobramento, o sistema tático pode ser descrito como 3-1-4-2: três zagueiros, um volante centralizado, dois alas alinhados aos meias centrais, e dois atacantes de movimentação à frente.

O resultado, entretanto, foi catastrófico. O Milan venceu por 4 a 0, e o Catania teve de se reiventar durante a partida. O ala-esquerdo Marchese passou a voltar, sem a bola, formando uma linha de quatro com os zagueiros, empurrando-os para a direita, e deixando o ala Lanzafame na mesma faixa do volante Lodi – o vértice mais adiantado do losango defensivo inicial.

Na minha percepção, este losango defensivo vulnerabiliza as faixas laterais do campo. São quatro jogadores preocupados em bloquear a região central, com muito espaço entre os alas e o zagueiro do lado, que se obriga a deixar a área para fazer a cobertura. Como sempre, sistemas com três zagueiros ocupam de maneira deficitária o campo, levando à criação de diversas compensações. Seria melhor, talvez, ter mantido o 4-4-1-1 com o qual o Catania vem fazendo boa campanha no Italiano.

 Eduardo Cecconi
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29/11/2011

Bielsa bloqueia as infiltrações do Barça

21:49 Carlos Sena No comments
Não fosse a perspicácia de Messi, com um gol nos acréscimos, e o Barcelona teria perdido ontem para o Athletic Bilbao. Contra o time de Marcelo Bielsa, o treinador Pep Guardiola não conseguiu repetir os movimentos ofensivos que caracterizam o 4-3-3 avassalador do Barça, bloqueado pela estratégia do argentino.

Na prática, Bielsa sistematizou o Bilbao com um tripé de meio-campistas centrais, e dois wingers protegendo os laterais e tentando municiar o centroavante Llorente. Teoricamente um 4-2-3-1, conforme conferi em dois sites internacionais com muita credibilidade nas análises táticas, embora o não menos relevante Zonal Marking tenha apontado um 4-3-3 com triângulo de base alta.

Inturraspe foi o volante da esquerda, pouco mais recuado na comparação com Oscar à direita; Herrera completou o tripé central, por vezes abrindo posicionamento e deslocando-se para a esquerda, onde o Bilbao tentava controlar o lado forte do Barça.

Com este 4-2-3-1 repleto de movimentos e compensações, Bielsa exerceu pressão sobre os criativos do Barça. Xavi, Iniesta, Messi e Fábregas tiveram dificuldades para organizar as tabelas curtas e as infiltrações pelo chão, sempre perseguidos de perto pelos três meio-campistas centrais. Para evitar a participação de Daniel Alves (principalmente) ou de Abidal nestas transições ofensivas, o Bilbao teve “espetados” os wingers Susaeta sobre o brasileiro, e Muniain no francês.

Bielsa teve a estratégia facilitada pelo tempo – muita chuva, que tornou o gramado pesado e dificultou as tabelas do Barça. Inteligente, o treinador argentino abdicou da posse de bola para segurar as infiltrações do adversário, e nas transições apostou na bola longa para Llorente, centroavante de referência capaz de se adaptar à intempérie e ao campo enlameado para reter a posse e esperar o avanço das linhas.

Defensivamente, além da pressão sobre os pequenos criativos do Barça – alavancada pelo tripé de meio-campistas – o Bilbao manteve-se atento à criação de uma sobra defensiva com a permanência de um lateral na base do campo, geralmente o capitão Iraola na direita. Mesmo assim, o Barça teve a habitual posse superior a 60%, e quase três vezes mais oportunidades, com a qualidade no acabamento comprometida pela chuva e pela marcação do time da casa.

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26/10/2011

Como Silva e Balotelli destruíram o jogo em Old Trafford

17:15 Carlos Sena No comments
Com um movimento ofensivo desencadeando uma série de jogadas combinadas Roberto Mancini desconstruiu o sistema defensivo do Manchester United ontem, na goleada de 6 a 1 do Manchester City – com três gols após os 44 do segundo tempo, é verdade, e com um jogador a mais durante boa parte do confronto – em Old Trafford. E os protagonistas desta elaboração tática do técnico italiano foram o meia Silva e o atacante Balotelli.

A base tática do City foi o tradicional 4-4-2 em duas linhas britânicas, principalmente a partir do gol inicial, com Balotelli. Até então, posicionada no campo defensivo e oferecendo a posse de bola ao United, a equipe atuava em uma espécie de 4-5-1 com três meias ofensivos, a partir do recuo constante do atacante italiano. Mas, vencendo parcialmente, Mancini adiantou o camisa 45, e armou a arapuca do contra-ataque em “xis”.

Silva fixou-se à extrema-esquerda da segunda linha do meio-campo, mas com um detalhe: apenas sem a bola. Balotelli fez o mesmo no ataque, assumindo o lado a partir do centro para a esquerda. Com a posse, entretanto, Silva saía para o meio, recebendo o primeiro passe e sendo o responsável pela articulação de todas as transições ofensivas. Em contrapartida, Balotelli abria para o lado, oferecendo uma opção de passe agudo entre o lateral e o zagueiro adversários. Defensivamente, para compensar, Silva retornava por dentro do campo, e Balotelli fechava momentaneamente a linha pela esquerda dando tempo à recomposição do camisa 21.

Com Silva centralizado nos momentos de posse, o City desfazia o desenho do 4-4-2 britânico usual – embora do outro lado Milner tenha se mantido fiel ao posicionamento como meia-extremo da direita. Ao mesmo tempo condutor, driblador e passador, Silva carregava a bola cruzando o campo da esquerda para a direita, indefinindo as marcações na defesa das zonas do United. A ideia era fazê-lo aproximar-se de Milner, e ao mesmo tempo abrir estaço para Clichy e Balotelli jogarem na esquerda para a qual ele retornava apenas sem a bola.

Este “xis” de Silva e Balotelli – o primeiro centralizando, o segundo abrindo – repetiu-se no segundo tempo com uma inversão. Agüero passou para a esquerda, executando o mesmo movimento com o meia espanhol, enquanto Balotelli tornou-se o atacante que conciliaria lado direito e referência. A partir deste momento outros dois gols foram marcados graças à movimentação de Silva: percorrendo o campo da esquerda para a direita, ele conseguia atrair a atenção dos marcadores do United, formando espaços aproveitados por Balotelli (e depois por Agüero) na altura da segunda trave da área adversária, para onde as assistências partiam.

Na prática, Silva foi um articulador central encarregado de fazer o City jogar, e de se manter próximo de todos os movimentos ofensivos. Ou seja, ele organiza a jogada com passe curto e se oferece como opção de passe para, caso a infiltração não ocorra, ele pode receber a bola de volta e tentar uma nova alternativa, fazendo o time “rodar” e mantendo a posse.

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12/10/2011

Inter adianta a marcação e libera um volante para jogar

21:55 Carlos Sena No comments
Nos jogos mais recentes o Inter demonstra estar enfim adaptado ao estilo de jogo que caracteriza as equipes comandadas pelo técnico Dorival Júnior. Ofensivo e agressivo, com e sem a bola, o time colorado apresenta um padrão uniforme, que se repete mesmo nas partidas fora de casa. Ontem, no 3 a 0 sobre o Vasco – no Beira-Rio – foi possível mais uma vez perceber esta filosofia de Dorival colocada em prática dentro do 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1).

O Inter de Dorival, no 4-2-3-1, adianta a marcação e ataca sempre com pelo menos seis jogadores. Quem coordena os movimentos, sejam eles defensivos ou ofensivos, é o triângulo de argentinos formado pelos volantes Guiñazu e Bolatti, e pelo articulador central D’Alessandro. São eles os principais avalistas do modelo proposto pelo treinador.

Guiñazu é o primeiro volante, responsável pela proteção defensiva e pelo primeiro passe. Com Dorival, ele desmente a “lenda urbana” que lhe atribui “indisciplina tática”. Para liberar os avanços de Bolatti, segundo volante que faz a passagem constante ao ataque, ultrapassando em velocidade os três meias ofensivos para receber à frente, Guiñazu demonstra um grande comprometimento com a ocupação do espaço central à frente dos zagueiros. Dali ele não sai.

D’Alessandro, invariavelmente, é o alvo do primeiro passe de Guiñazu. E a partir de seu camisa 10 o Inter se organiza. Ele conta com fartas opções de passe. Além dos wingers – que ontem foram Andrezinho e Ilsinho – e do centroavante Jô, ainda há a passagem de Bolatti e de pelo menos um dos laterais – quando não há apoio simultâneo. As transições se dão pelo chão, acostumando o time a jogar com passes curtos, aproximações, tabelas e compactação ofensiva no campo adversário.

As estatísticas da partida contra o Vasco ilustram este modelo amparado no trio de argentinos. Guiñazu foi quem mais executou passes – 81 ao todo, comprovando sua participação na saída de bola; depois dele vem D’Alessandro, com 54 passes – o alvo preferencial da saída de bola, para organizar o ataque; Bolatti, ao lado de D’Alessandro, foi quem mais concluiu a gol – 4 vezes, confirmando sua contribuição ofensiva – passa e recebe.

O time, no total, teve 57% de posse, trocou 426 passes e finalizou 21 vezes – números de acordo com a proposta ofensiva de Dorival. E isto acontece em razão do adiantamento das linhas. Jô e o trio de meias ofensivos avançam quando estão sem a bola, ocupam a intermediária do rival e exercem pressão na saída; consequentemente, eles trazem para o alto do campo os volantes, os laterais e os zagueiros, compactando as linhas quase a partir do meio-campo, para forçar o erro, tirar espaços, e recuperar a bola mais próximo ao gol, e contra-atacar rapidamente com muitos jogadores dando opção de passe.

Outra determinação bem executada contra o Vasco é o ingresso destes jogadores na área. Quando D’Alessandro ou os laterais estão com a bola nas proximidades do gol, os wingers e Bolatti juntam-se a Jô na área. Por isso o Inter consegue combinar, além das trocas constantes de passes curtos pelo chão, jogadas aéreas pelo fundo do campo – há jogadores na área para completar cruzamentos.

O risco assumido nesta estratégia é a “bola nas costas” caso o adversário aposte na transição longa. Por isso, Dorival tem escolhido zagueiros mais velozes – e assim se destaca Rodrigo Moledo. Exige-se, com marcação adiantada e vocação ofensiva da equipe, zagueiros com velocidade na execução dos movimentos. Afinal, eles costumam ficar no “mano a mano” nos contra-ataques adversários. Os laterais também contribuem nestas coberturas – ontem, em 21 desarmes, os campeões foram Nei com 8 e Kleber com 7.

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03/08/2011

Vasco apresenta formação ofensiva com muitas variações

15:18 Carlos Sena 1 comment
Uma das principais atrações que o futebol exerce sobre os torcedores é a irrevogável injustiça estabelecida entre desempenho e resultado. Ontem à noite, por exemplo, o Vasco finalizou mais de 30 vezes a gol. Já o Bahia deu quatro chutes. E a partida, disputada no Estádio São Januário, terminou empatada em 1 a 1. Marcando logo no início, o time visitante recuou as linhas, bloqueou os espaços a partir da intermediária defensiva, e por muito tempo sequer contra-atacou. Coube ao Vasco atirar-se ao ataque, ainda assim sem perder a organização.

Ricardo Gomes sistematizou o Vasco em um ofensivo 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1). Após o gol de Reinaldo, o treinador adiantou Felipe, e inverteu seu posicionamento com o de Éder Luís. Ambos atuaram como wingers de pés invertidos: o destro Éder Luís na esquerda, o canhoto Felipe na direita, tendo Diego Souza centralizado como ponta-de-lança.

Na primeira linha do meio-campo, posicionaram-se Juninho Pernambucano e Rômulo. Dupla também adiantada, partindo inicialmente de uma região agressiva, muito próximos do quarteto ofensivo completado pelo centroavante Alecsandro.

A estratégia era evidente: com Felipe e Éder Luís, ao mesmo tempo abrir a marcação do Bahia, mas quando eles realizavam diagonais, trazer a mesma marcação para dentro e abrir o corredor à passagem dos apoiadores laterais Márcio Careca e Fágner. Outro aspecto desta estratégia ofensiva – Juninho e Rômulo no campo ofensivo – foi assegurar agilidade na recuperação da segunda bola.

Somando os ‘wingers de pés invertidos’, os volantes adiantados e os laterais apoiadores, o Vasco alternou-se entre cruzamentos para a área (foram dezenas), consequentes escanteios (outro alto número) e chutes de longe. Sem, entretanto, conseguir infiltrar-se na área baiana.

O contexto mais relevante, acredito, é perceber que não houve omissão do Vasco. Ricardo Gomes adaptou seu time à necessidade do jogo, fez trocas – Bernardo, Elton (autor do gol no último lance) e Leandro entraram – e permitiu a seus jogadores realizar intensas inversões de posicionamento (Juninho com Rômulo, Éder com Felipe, Diego com Alecsandro).

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28/07/2011

Robinho comanda variação tática no Milan

20:47 Carlos Sena No comments
Dando sequência aos amistosos de pré-temporada, ontem o Milan utilizou seu time titular para empatar em 2 a 2 com os reservas do Inter, em torneio disputado na Alemanha. Com praticamente todos os principais jogadores, Allegri apresentou a formação tática que – presumo – será a preferencial para a próxima temporada.

O Milan distribuiu-se no 4-4-2 com meio-campo em losango, com tripé de volantes que permite o desdobramento – para quem gosta das quatro faixas de campo – em 4-3-1-2. Na linha defensiva, Zambrotta e Antonini foram os laterais, com Thiago Silva e Yepes de zagueiros; logo à frente, Ambrosini atuou como vértice inicial do losango, o volante mais defensivo, tendo Gattuso (direita) e Seedorf (esquerda) na segunda linha do setor; Robinho atuou como ponta-de-lança, vértice mais adiantado do losango, aproximando-se dos atacantes Pato e Ibrahimovic.

Mas Robinho, conforme a circunstância da partida, proporciona uma variação tática. Ele migra do centro para a ponta-direita, empurrando Ibrahimovic (ou Pato) para a ponta-esquerda, e centralizando Pato (ou Ibrahimovic, dependendo da alternância entre ambos) na referência. Um 4-3-3 que preserva o tripé de volantes.

Com esta movimentação, Robinho não pode ser considerado um ‘enganche’ – como os argentinos conceituam o meia organizador. Embora participe da articulação nas transições ofensivas, ele é um ponta-de-lança: um meia-atacante agressivo, mais voltado à conclusão e às tabelas com os atacantes do que propriamente à organização das jogadas. Tarefa semelhante pode ser cumprida pelo italiano Cassano, jogador com o qual Robinho deve disputar posição.

Quem organiza o time é Seedorf, distribuindo os passes do Milan a partir da centro-esquerda do losango, enquanto Gattuso exerce a função de apoiador mais defensivo, protegendo os avanços do lateral Zambrotta. Recuar Seedorf para que ele articule a transição ofensiva com espaço para observar o posicionamento e a movimentação dos atacantes é uma boa maneira de aproveitar a qualidade do holandês no passe longo e nas inversões, além de contar com sua perícia na segunda bola (rebote ofensivo).

Eduardo Cecconi
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20/07/2011

Corinthians lidera com atenção especial aos desarmes

16:08 Carlos Sena No comments
Não foi fácil – e somente os resultados recentes permitiram isso – para Tite ver sua filosofia de jogo aceita em São Paulo. Estudioso, vê na teoria tática uma ciência a ser aplicada. Por isso carrega em seu discurso, por vezes ironizado na tentativa de se superficializar a análise (aprofundar é mais cansativo, convenhamos), tantas terminologias. Busca, sem ser clichê, o equilíbrio – que parte, necessariamente, da eficiência simultânea entre defesa e ataque.

É desta forma que o Corinthians se mantém na liderança invicta do Campeonato Brasileiro, com oito vitórias em nove jogos: esmerando-se na marcação e no combate tanto quanto na transição ofensiva. No sistema tático 4-5-1 com três meias (ou 4-2-3-1) descrito no diagrama tático que ilustra o post, venceu o Inter ontem por 1 a 0, escore que de forma alguma trará insônia a Tite. Não há constrangimento em vencer pelo placar mínimo, desde que se alcance a vitória.

Tite ampara a segurança da melhor defesa da competição – apenas 4 gols sofridos – no trabalho dos volantes Ralf e Paulinho. À frente da linha defensiva, eles dão suporte ao quarteto ofensivo ‘carregando o piano’ entre as intermediárias. Ralf pouco mais recuado, à esquerda, enquanto Paulinho comporta-se como um segundo volante – um apoiador, que combate e avança, mais à direita.

Contra o Inter, mesmo no Pacaembu, a posse de bola corintiana foi inferior – 47%. Mas a segurança defensiva foi absoluta. 9 oportunidades criadas, contra apenas 4 do rival, e uma estatística impressionante nas recuperações de bola: 51 (sendo 19 desarmes diretos), frente a 33 (sendo 15 desarmes diretos) dos colorados.

Não à toa, o Corinthians é a equipe que mais realiza recuperações de posse de bola no Brasileirão: em nove rodadas, soma 446 (sendo 137 desarmes). E o que é mais importante, acima de tudo, para atingir este índice? Organização, fidelidade dos jogadores ao posicionamento inicial e à recomposição da formação tática sem a bola, aplicação de todos no cumprimento das atribuições defensivas, com ocupação inteligente de espaços e comprometimento nas coberturas eventualmente necessárias. Contexto que tem nas figuras de Ralf e Paulinho os protagonistas.

Contra o Inter, que atuou no predileto 4-4-1-1 de Falcão – saiba como – Ralf realizou 15 recuperações, e Paulinho outras 9. Os campeões do jogo neste fundamento. No lado colorado, o principal interceptador dos adversários foi Guiñazu, com apenas 7 recuperações – menos da metade de Ralf. E com um detalhe interessante: o Corinthians teve menos posse, realizou 51 recuperações, e precisou cometer apenas 10 faltas em todo o jogo. Ou seja, os desarmes são executados de forma limpa.

Reitero a constatação, para concluir a análise do bom desempenho do Corinthians neste 4-2-3-1: a equipe de Tite consegue alcançar o maior índice de recuperações de bola com desarmes limpos, e se mantém como a melhor defesa, em função da boa distribuição dos jogadores. Um time organizado comete poucas faltas e desarma mais porque os jogadores estão ocupando os espaços certos.

Eduardo Cecconi
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13/07/2011

No 4-3-3, Argentina valoriza a posse de bola em espaço curto

15:58 Carlos Sena 1 comment
Sérgio Batista manteve a estrutura tática da Argentina, na vitória de ontem sobre a Costa Rica por 3 a 0, mas qualificou a posse de bola criando um grande repertório de movimentos ofensivos. Di Maria, Agüero e Higuaín foram os coadjuvantes das trocas de posições lideradas por Messi, com uma atuação digna do melhor do mundo.

Inicialmente, a Argentina se utilizou de um 4-3-3 com triângulo de base alta no meio-campo. Mascherano foi o vértice defensivo, com Gago pouco à direita, e Di Maria articulando pela esquerda. No ataque, Messi cumpriu a função do ‘falso nove’, partindo da região central para ocupar diversas faixas ofensivas em sincronia com os demais, tendo Agüero na ponta esquerda, e Higuaín fazendo as diagonais da direita para a área.

Na prática, entretanto, a movimentação ofensiva de Messi proporcionou pelo menos 4 variações além do 4-3-3 original:

1) Messi recua para buscar jogo, com Agüero e Higuaín se aproximando, formando o 4-4-2 em losango típico da Argentina (formação que se repetiu no segundo tempo, quando Biglia e Gago formaram a segunda linha, tendo Pastore de enganche, Messi e Lavezzi no ataque);

2) Messi recua para buscar o jogo, e Di María avança pelo centro, ocupando este espaço na inversão de posições entre ambos (assim nasceu o terceiro gol);

3) Messi recua para buscar o jogo, Di María abre pela esquerda, e empurra Agüero para o centro do ataque (assim nasceu o segundo gol);

4) Messi abre pela ponta direita, invertendo o posicionamento com Higuaín, que assume o comando ofensivo.

Sincronizando estes movimentos, sob a liderança de Messi, a Argentina teve 67% de posse de bola contra o 5-4-1 costa-riquenho. Sempre com pelo menos quatro jogadores ofensivos próximos, além do avanço dos laterais Zanetti e Zabaleta, e do rebote ofensivo de Gago (origem do primeiro gol), a seleção de Batista conseguiu controlar a bola com linhas de passes em regiões curtas de campo, sem recorrer à ligação direta.

Movimentar-se é a melhor maneira de desobstruir áreas congestionadas. Messi, Di Maria, Agüero e Higuaín entraram em rotação, e desta forma abriram espaços. Sempre com passes curtos. No total, a Argentina executou 454 passes, e errou apenas 31. Messi foi responsável por 64 passes, errando somente 4 (Gago liderou o número total neste fundamento, com 68 passes, e 6 erros).

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06/07/2011

Chile se utiliza do 3-5-2 mais inteligente

12:09 Carlos Sena No comments
Não é segredo que os sistemas com três zagueiros proporcionam uma ocupação desequilibrada de espaços no campo, tanto com a bola, como principalmente sem ela. O sistema de marcação costuma ser individual por função, por não haver como delimitar zonas, e na perseguição aos adversários as equipes se desorganizam, apelando à ligação direta nas transições ofensivas. Em resumo: quem joga no 3-5-2 ou no 3-6-1 tende a ser reativo, atuando em função do oponente, com menor posse de bola e sem articulação organizada.

Mas o Chile do técnico Borghi se utiliza de um 3-5-2 elaborado para compensar estes problemas de ocupação de espaços. Muito semelhante ao desenho tático da Udinese, onde jogam o ala Isla e o atacante Sánchez, o sistema chileno tem como principal virtude o posicionamento adiantado dos alas. É um 3-5-2 com ‘alas espetados’ no alto do campo ofensivo.

Isla na direita e Beausejour na esquerda atuam praticamente como wingers, meias-extremos alinhados ao articulador Matias Fernández, em suporte à dupla de atacantes Sánchez e Suazo. É um bloco ofensivo formado por cinco jogadores, que buscam aproximações e combinações para manter a posse de bola, evitando a ligação direta proporcionada pelos 3-5-2′s com alas lateralizados – há opções de passe, o time não recua demasiadamente.

O sistema defensivo conta com outros cinco jogadores. Os dois volantes, centrais e posicionados – Medel e Vidal, protegem o zagueiro da sobra, Ponce. A cobertura dos alas espetados se dá com os outros zagueiros, Contreras na direita e Jara na esquerda.

Quando o Chile perde a bola, tendo apoio simultâneo dos seus alas, com o meia e os dois atacantes, ambos os zagueiros adiantam-se para combater na divisória central, enquanto os dois volantes e o zagueiro da sobra fecham a entrada da área. Contra o México, o sistema funcionou – quando a equipe conseguiu a virada para 2 a 1, tinha maior posse de bola, e havia criado 16 oportunidades de gol, contra apenas 2.

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09/06/2011

Corinthians muda e ‘espelha’ 4-2-3-1 do Flamengo

00:47 Carlos Sena 1 comment
Desfalcado e com poucas alternativas viáveis no elenco, Tite precisou abdicar do 4-4-2 com meio-campo em losango recentemente preferencial do Corinthians. No empate em 1 a 1 fora de casa com o Flamengo, neste domingo, o treinador corintiano recorreu ao 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1), utilizando-se do recuo pela direita do atacante William para completar o setor de criação e apoio ao centroavante Liédson:

Pela direita, William constantemente buscou diagonais na direção da área do Flamengo, abrindo espaço ao apoio qualificado do estreante Weldinho. Em uma destas combinações – William fecha, Weldinho passa – ambos fizeram a jogada do gol corintiano. Na esquerda, tanto Fábio Santos como também Jorge Henrique mostraram-se mais preocupados com as atribuições defensivas.

Com a vitória parcial, o Corinthians ofereceu ao Flamengo posse de bola e bloqueou os espaços. O empate saiu em cobrança de falta, com Renato Abreu. No segundo tempo, a estratégia priorizando o contra-ataque permaneceu, novamente correndo poucos riscos, e apostando na transição ofensiva rápida. Jorge Henrique e Liédson deixaram o campo, lesionados, e sem alternativas Tite precisou escalar Edenilson e Emerson. William adiantou-se para a referência, com Edenilson mantendo a boa contribuição ofensiva pela direita, em parceria com Weldinho.

No Flamengo, que homenageou Petkovic, o sistema tático foi semelhante. Luxemburgo distribuiu três jogadores de características ofensivas à frente dos volantes Willians e Renato Abreu. De início, Petkovic centralizou a articulação, com Bottinelli pela direita e Ronaldinho mais adiantado, pela esquerda, aproximando-se do centroavante Wanderley:

Estes movimentos em sincronia podem sugerir variação tática ao 4-4-2, mas na prática eu observei o Flamengo no mesmo 4-2-3-1 do Corinthians – um ‘espelhamento’, portanto. Bottinelli também buscava o centro, reunindo-se a Petkovic, e abrindo o corredor para Léo Moura. O mesmo acontecia com Ronaldinho, avançando na direção da área, e deixando espaço para Egídio e Renato Abreu combinarem jogadas.

No segundo tempo Petkovic deu lugar a Negueba, que posicionou-se na extrema-direita da segunda linha de meio-campo, passando Bottinelli à articulação. Ronaldinho seguiu como meia-extremo pela esquerda, recuando mais para auxiliar o argentino na articulação, e apostando na sua principal característica atual: qualidade nas longas inversões, tentando encaixar lançamentos para Negueba entre Fábio Santos e Leandro Castán.

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01/06/2011

Ceará adere ao 4-4-2 em losango, tendência no Brasileirão

13:55 Carlos Sena 2 comments
Não assisti a todos os jogos das duas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro. Mas na maioria houve pelo menos uma equipe se utilizando do 4-4-2 em losango. De improviso, busco na memória Grêmio, Inter, Atlético-PR, Vasco, Santos, Corinthians, Atlético-MG e Ceará. Oito equipes, o que demonstra uma tendência tática no momento.

No Ceará, Vágner Mancini organizou um 4-4-2 em losango com tripé defensivo de volantes. Para quem gosta de desdobramentos em quatro faixas de campo, é um 4-3-1-2 (embora os volantes não estejam alinhados, o que contradiz o princípio deste tipo de descrição tática).

Michel é o vértice inicial; na segunda linha, pouco à frente, ficam João Marcos (direita) e Eusébio (esquerda); Geraldo é o enganche, fazendo a conexão com o ataque formado por Osvaldo e Marcelo Nicácio. No segundo tempo, Iarley substituiu Geraldo e assumiu com desenvoltura a função de articular a equipe cearense na vitória fora de casa sobre o Inter por 1 a 0, sábado – gol do ex-atacante colorado.

Ao menos contra o Inter, o Ceará concedeu a posse de bola ao adversário. Pelo encaixe dos sistemas – Falcão também sistematizou sua equipe no 4-4-2 em losango – houve perseguições quase individuais no meio-campo. Michel anestesiou D’Alessandro, enquanto João Marcos e Eusébio fecharam respectivamente os espaços de Guiñazu e Tinga.

Defendendo-se com sete jogadores, o Ceará usa o tripé de volantes para fechar a entrada da área. Este posicionamento obrigou o Inter a trocar passes de lado a outro sem encontrar espaços para infiltrações. Contando com a movimentação reduzida e com os movimentos burocráticos do Inter, o Ceará manteve o dono da casa afastado da área, e marcou o gol da vitória no único lance de ataque que teve – um escanteio ensaiado.

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13/05/2011

Vasco usa cinco jogadores no meio-campo e inversões

15:16 Carlos Sena 2 comments
Assisti hoje ao empate em 1 a 1 com o Atlético-PR que deu ao Vasco, em São Januário, a vaga nas semifinais da Copa do Brasil. E nesta partida, sem Alecsandro e Rômulo, Ricardo Gomes arquitetou o meio-campo com cinco jogadores, apresentando duas variações de posicionamento.

Comparo o Vasco do empate de hoje ao 4-5-1 ‘Árvore de Natal’ (Christmas Tree, em inglês) consagrado pelo italiano Carlo Ancelotti no Milan. Eduardo Costa foi o primeiro volante, tendo na segunda linha do meio-campo Felipe e Fellipe Bastos; em uma terceira faixa do setor, alinharam-se Bernardo e Éder Luís, tendo Diego Souza na referência do ataque. Durante muito tempo tentei identificar um eventual 4-4-2 em losango mais habitual do Vasco, mas Bernardo manteve-se mais distante do centro, equiparando-se a Éder Luís na intermediária ofensiva.

Felipe foi o articulador, encarregado de receber o primeiro passe na saída de bola, e distribuir lançamentos e passes. No primeiro tempo ele posicionou-se no lado direito de Eduardo Costa, com Fellipe Bastos no esquerdo. Mas na segunda etapa eles retomaram os posicionamentos mais naturais, com o canhoto passando à esquerda, e o destro à direita.

Outro movimento semelhante aconteceu na região entre os apoiadores e Diego Souza. Embora tenham se fidelizado mais aos seus respectivos lados, Bernardo e Éder Luís também buscaram inversões. Sem a bola, ambos fechavam à frente dos três companheiros de meio-campo, passando a impressão do 4-5-1 desdobrado em 4-3-2-1 e chamado de ‘Christmas Tree’. Com a posse, entretanto, Bernardo e Éder Luís abriam pelos lados, aproximando-se dos laterais Márcio Careca e Allan para tabelar – quem estivesse no lado oposto da jogada também ingressava na área para ajudar o atacante central.

Mas o gol saiu apenas quando Diego Souza deu lugar a Élton, e também depois de Nieto abrir o placar para o Atlético-PR. Precisando empatar para chegar às semifinais, o Vasco abdicou das tentativas de infiltração pelo chão com Éder Luís e Bernardo recebendo passes de Felipe, e buscou mais a bola aérea com o novo centroavante – que marcou o gol da classificação, de cabeça.

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04/05/2011

Universidad Católica varia taticamente com intensidade

14:29 Carlos Sena No comments
Não é fácil para um técnico adversário do Universidad Católica antecipar o planejamento de Juan Antônio Pizzi no comando da equipe chilena. O time do ex-atacante argentino com cidadania espanhola, que brilhou no Barcelona, na seleção da Espanha e no River Plate, apresentou na vitória de 2 a 1 sobre o Grêmio – semana passada, em Porto Alegre – três variações táticas durante a partida. E, com a perspectiva de permanência da mesma escalação, tudo indica que este cenário de alta rotatividade tática se repita hoje à noite no Estádio San Carlos de Apoquindo.

O sistema preferencial de Pizzi contra o Grêmio em Porto Alegre foi o 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1). Ormeño e Silva posicionam-se como volantes, à frente da linha defensiva formada por Valenzuela e Eluchans nas laterais, e pelos zagueiros Martínez e Henríquez. Na articulação, Meneses centraliza, com Tomas Costa à direita, pouco recuado (como fazia Elano na Seleção Brasileira de Dunga), e Cañete ‘espetado’ no campo ofensivo pela esquerda. Pratto é o centroavante de referência.

Mas o recuo de Tomas Costa pode acentuar-se, proporcionando uma variação ao 4-5-1 com três volantes e meias abertos (ou 4-3-2-1). Não é o famoso 4-5-1 ‘Christmas Tree’ consagrado pelo técnico Carlo Ancelotti no Milan, porque este desenho exige meias centralizados. Com Pizzi, nesta alternativa tática, Cañete e Meneses abrem pelos lados, com Ormeño centralizado, Silva na esquerda-central e Tomas Costa na direita-central, formando um ‘trivote’ – como chamam os analistas de língua espanhola. Especula-se aqui no Chile que esta será a formação inicial nesta noite.

Em Porto Alegre La Católica teve ainda uma terceira variação, novamente sem recorrer ao banco de reservas: 3-6-1 com linha de quatro na intermediária defensiva (ou 3-4-2-1). Assim que abriu o placar no primeiro tempo, com Pratto, Pizzi recuou Eluchans como zagueiro pela esquerda, tendo Henríquez na sobra e Martínez na direita. Este movimento empurrou Valenzuela para a linha dos volantes – que tornaram-se Ormeño e Tomas Costa – levando ainda Silva para a ala-esquerda. Cañete e Meneses centralizaram na segunda linha do meio-campo.

Tudo isto aconteceu em 90 minutos, conforme descreve com legendas coloridas o diagrama tático que ilustra o post. Repetindo a escalação, Pizzi também deve repetir estas variações táticas em intensa mutação conforme as circunstâncias do confronto com o Grêmio.

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27/04/2011

Giggs oferece aula gratuita sobre o 4-4-2 britânico

15:59 Carlos Sena No comments
Sou fã confesso do 4-4-2 britânico, o four-four-two das ‘duas linhas de quatro’, quaisquer que sejam as variações – com dois atacantes, um volante entre as linhas (4-1-4-1), ou um ponta-de-lança à frente do meio-campo (4-4-1-1). Este último foi o sistema tático utilizado por Sir Alex Ferguson na vitória de ontem do Manchester United sobre o Schalke 04, fora de casa, por 2 a 0 – abrindo excelente vantagem nas semifinais da Uefa Champions League.

E o grande destaque foi Giggs. Desta vez, não como winger pelo lado esquerdo, mas sim como box-to-box centralizado. Com inteligência tática acima da média para cumprir qualquer função neste sistema – há poucos dias ele foi improvisado na lateral-esquerda durante partida com expulsão – o veterano galês orquestrou o time inglês na vitória em território alemão.

Winger e box-to-box são duas táticas individuais de alta relevância para o sucesso do 4-4-2 britânico. O winger pode ser traduzido por ‘meia-extremo’, ou ‘externo’, jogador que posiciona-se aberto na segunda linha, combinando jogadas agudas até o fundo do campo e diagonais incisivas na direção da área. Ele pode, além do tradicional ‘winger ofensivo’, ser um ‘winger armador’ – como Giggs habitualmente se comporta – organizando a equipe com passes longos, inversões, cruzamentos e assistências, mesmo que deslocado para o lado, e não centralizado conforme a cultura do futebol brasileiro exige.

Já o box-to-box é o meia central encarregado de, sem a bola, ser um ‘volante’, e com a bola transformar-se em apoiador. A tradução literal é ‘de área a área’, ou seja, o jogador que defende à frente da própria área sem a posse, e avança até a área adversária com ela. Box-to-box contra o Schalke, Giggs foi o segundo jogador que mais correu no Manchester (mais de 11 quilômetros, abaixo apenas do volante Carrick). Confiram no heat map do site oficial da Uefa a movimentação em amplo espaço de campo executada por Giggs:

Ferguson criou ainda uma tática de grupo interessante, no lado esquerdo: Rooney, que atuou à frente da linha de meio-campo neste 4-5-1 desdobrado em 4-4-1-1, ora abria pelo lado esquerdo, trazendo o winger Park para o centro. Giggs e Evra também participaram desta engrenagem, integrando-se aos movimentos que desorganizaram a marcação alemã.

Disposto em um confuso 4-4-2 desdobrado em 4-1-4-1 sem a bola, e em 4-1-3-2 com a bola, o Schalke não soube conter a movimentação criada pelo Manchester entre a esquerda e o centro do campo. Primeiro volante, Papadopoulos aprofundava demais o posicionamento, formando uma linha de cinco defensores, e abrindo a intermediária para as infiltrações de Rooney, Chicharito, Giggs ou Park.

Ferguson, que por vezes tem recaídas demasiadamente defensivistas em jogos importantes, ontem foi brilhante. E Giggs, deslocado de sua posição original, deu aula no cumprimento da função do ‘box-to-box’.

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20/04/2011

Liverpool recupera sua essência tática

15:23 Carlos Sena No comments
Em 1973, após a eliminação na Uefa Champions League para o Estrela Vermelha com derrota de 2 a 1, dirigentes e comissão técnica do Liverpool reuniram-se no ‘boot-room’ do Estádio Anfield Road. Estavam positivamente impressionados com o controle da posse de bola proposto pelos eslavos.

Desta conversa, descrita com primoroso detalhamento no livro ‘Inverting the Piramyd‘ do jornalista inglês Jonathan Wilson, nasceu o 4-4-2 em duas linhas. Sistema criado, em princípio, como resposta às trocas de passes típicas dos clubes do Leste Europeu, cujo DNA carregava consigo as influências da Danubian School que inspirou em anos anteriores húngaros, austríacos e tchecos.

Dalglish, sucessor de Rafa Benítez, começou seu trabalho no Liverpool ignorando este precente histórico. Durante bom tempo recorreu aos três zagueiros, em um 3-6-1 com quadrado ou losango no meio-campo. Logo depois voltou ao 4-4-2, mas com Carragher de lateral-base pela direita, disfarçando a permanência dos três zagueiros.

Mas no empate em 1 a 1 com o Arsenal, final de semana, o Liverpool atuou no seu legítimo 4-4-2 em duas linhas, originário do boot-room de Anfield Road. A estratégia, entretanto, foi a mesma que deturpou o primeiro ideal do sistema tático – que era a valorização da posse de bola, mas acabou consagrando nos anos 80 o futebol inglês estereotipado como ‘retranca e chuveirinho’.

Nas duas linhas de Dalglish o Liverpool cede a posse de bola. O Arsenal controlou o jogo por 62% do tempo. Na Premier League, ninguém marca mais que o time de Anfield. O Liverpool é a equipe que mais desarmes praticas – e Lucas é o jogador com maior incidência de roubadas de bola na competição.

Com defesa e meio-campo recuados e agrupados, próximos da entrada da área, o Liverpool cede campo ao adversário mas bloqueia com o paredão de oito jogadores a própria área. Nas transições ofensivas, aposta nas saídas pela direita com Kuyt e do centro para a esquerda com Suárez. Raúl Meireles sai da extrema para receber o primeiro passe, e os volantes Lucas e Spearing não se comportam como ‘box-to-box’, priorizando quase que exclusivamente o combate.

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13/04/2011

O primeiro Muricy do Santos

14:00 Carlos Sena No comments
Não há erro no título do post. Não confundi os sujeitos. No final de semana o Santos empatou em 0 a 0 com o Americana na estreia de Muricy Ramalho mostrando o resultado apenas de conversas incipientes e poucos treinos. Não é, portanto, o primeiro Santos do treinador, mas sim uma primeira imagem de Muricy que ele deve em breve modificar.

O Santos iniciou a partida no 4-3-3, com triângulo de base alta no meio-campo. Linha defensiva com laterais alternando o apoio – Pará na direita, Alex Sandro na esquerda; Rodrigo Possebon de primeiro volante, como vértice inicial do triângulo do meio-campo, tendo à frente Danilo e Elano na base de armação – primeiro à esquerda, o segundo à direita; no ataque, Neymar e Maikon Leite abertos pelos lados, e Zé Eduardo de centroavante. No segundo tempo houve variações, com os ingressos dos meias-ofensivos Alan Patrick e Paulo Henrique Ganso nos lugares respectivos de Maikon Leite e Possebon – um atacante e um volante.

Mas este Santos não é o primeiro time de Muricy, e sim uma herança lógica dos trabalhos anteriores, principalmente de Dorival Júnior. Sem tempo para treinar, sem oportunidades para avaliar características dos jogadores, encontrando com isso um padrão para o elenco e adequando a estas constatações um sistema tático, melhor recorrer à familiaridade santista ao 4-3-3.

Ao final, entretanto, Muricy Ramalho fez estas ressalvas: não houve tempo para treinar. A base partiu do conhecimento transmitido pelos remanescentes da comissão técnica:

“Por isso, conversei muito com o pessoal da comissão técnica que já estava aqui para montar o time. Estou chegando agora e não dá para treinar como eu gostaria, em função do pouco tempo. Seria uma bobagem eu tentar impor os meus métodos tão rápido. Vamos com calma“.

Muricy destacou o fortalecimento defensivo, apesar do 4-3-3, impedindo o adversário de marcar e estancando o vazamento na área santista. Esta é a tendência: Muricy constroi seus trabalhos a partir da defesa. Nos treinos ele vai procurar os jogadores e o sistema tático que melhor se adaptarem ao pensamento de evitar o gol adversário, permitindo rápidas transições ofensivas, e apostando muito na bola parada.

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06/04/2011

Coragem, Sir Ferguson. Coragem

11:13 Carlos Sena 1 comment
Não é de hoje que o Manchester United tem duas variações táticas: a convencional (o 4-4-2 em duas linhas) para confrontos em Old Trafford; e a defensiva (4-5-1 em duas linhas, com um volante entre elas ou um ponta-de-lança à frente delas – 4-1-4-1 / 4-4-1-1) para clássicos, jogos de Uefa Champions League ou qualquer partida fora de casa. Sábado, por exemplo, novamente o técnico Sir Alex Ferguson recorreu ao modelo dos ‘grandes jogos’ ou dos ‘jogos fora’ para enfrentar o West Ham, pela Premier League. E se deu mal.

O Manchester United entrou em campo no 4-4-1-1. Na segunda linha do meio-campo, Carrick e Gibson centralizaram, com Valencia e Park nos extremos, e Giggs fazendo a ligação pouco à frente. Rooney, eternamente sacrificado por este sistema, foi o único atacante. Não é coincidência sua queda de rendimento recente, problema contemporâneo a esta nova diretriz tática do treinador dos Red Devils. Em pouco tempo, o West Ham vencia por 2 a 0.

A virada do United – que venceria por 4 a 2 – chegou a partir de duas alterações. A equipe voltou ao 4-4-2, com as substituições de Evra por Javier Hernández (no intervalo), e de Park por Berbatov (aos 14 do segundo tempo) – formação descrita no diagrama tático que ilustra o post. Também não é coincidência que, no minuto seguinte, Rooney tenha marcado o primeiro de seus três gols – o mexicano Chicarito fechou o placar.

Neste 4-4-2 improvisado, Ferguson baixou Giggs para a lateral-esquerda, e no mesmo setor deslocou Rooney para o lado, como winger. Berbatov e Hernández formaram o ataque, com ambos participando também do retorno para buscar a bola e combater o adversário sem a posse.

Este é mais um indício da vocação ao 4-4-2 convencional do Manchester United, ignorada pelo seu próprio arquiteto nas últimas três temporadas. Entretanto, é muito difícil discutir teoria tática contrapondo resultados. Embora contra o West Ham a corriqueira recaída defensivista de Sir Ferguson tenha ruído, nos clássicos e jogos de UCL deixar os atacantes no banco (foi assim com Tevez durante muito tempo, e agora repete-se com Berbatov e Hernández), isolar Rooney e sacrificar os movimentos ofensivos da equipe tem dado certo.

No 4-1-4-1 ou no 4-4-1-1 o Manchester United abdica da posse de bola e conta com uma grande eficiência nas jogadas de bola parada e nas rápidas transições ofensivas (contra-ataques) para vencer jogos importantes. Não sou comentarista de resultado, e não gosto de ver um clube tão vibrante e ofensivo submetido a esta filosofia tática para ‘grandes jogos’ ou ‘jogos fora’. Mas contra fatos os argumentos servem apenas ao debate, e não à contestação.

Ainda assim, reitero: agrada-me muito mais o Manchester United do segundo tempo contra o West Ham. Coragem, Sir Alex Ferguson…

Eduardo Cecconi
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